novembro 09, 2005

56. Soneto Imperfeito, por João Francisco

David Hurn (Cardiff)


A fábrica exala um perfume de morte,
silencioso e frio entra no corpo e invade a alma
sofrida e sentida pelas horas seguidas sujeitas
à realidade de existir num mundo cinzento.

A fome, companhia diária, já aperta,
silenciosa e fria enfraquece o corpo e entristece a alma
cansada e dorida pelas horas seguidas e sofridas
sem um alimento colorido num mundo cinzento.

É intervalo. Os olhos brilham. A esperança renasce.
A bola salta. Os sapatos chuteiras. O cinzento verde.
A fábrica bancada. As mochilas balizas. As chaminés público.

O jogo começa. O mundo pára. A bola salta.
O cruzamento milimétrico. O cabeceamento perfeito.
O Golo!!! A Alegria!!! O Júbilo!!! a fome saciada. O ar puro.


João Francisco